Clique nos ícones/links da coluna à direita, para ver + MÍDIA SERGIPANA.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O jornalismo impresso vai acabar?


Texto publicado no site da revista Carta Capital, em 14/09/2011

O jornalismo impresso vai acabar?

Por Clara Roman 

Profissionais não sabem qual será o modelo de negócios do futuro, mas garantem: a mídia impressa está condenada

Não há consenso entre os profissionais da imprensa, do marketing digital e da propaganda:  qual será o modelo vencedor no futuro, capaz de gerar renda na internet e substituir os negócios hoje ainda centrados no papel e na televisão? No segundo dia do evento New Brand Communication (NBC) a grande pergunta era se a internet conseguirá democratizar a comunicação no País, hoje concentradas em algumas poucas corporações familiares.

A questão pesa tanto na publicidade quanto no jornalismo. “A gente tem um vício que é a Casa Grande – Senzala,” diz Rene de Paula, que participou da mesa “Inovação em Comunicação de Marcas”. Segundo o publicitário, os profissionais da área acabam imersos em um universo particular, onde “todos possuem Iphone, enquanto a maioria do Brasil está comprando um notebook ou PC em 12 prestações”. É esse público que o marketing online deve atingir. “O grande desafio é entender que as coisas não acontecem somente na Vila Olímpia. A inovação deve ser social, política”, diz.

Para exemplificar, De Paula cita o Orkut, site de relacionamentos tido como ultrapassado pelas Classes AB, mas ainda um dos mais acessados no País. Segundo ele, é o que dá mais retorno. A inovação, diz De Paula, não consiste em criar aplicativos, mas em entender os mecanismos de acesso à Web no Brasil. “Achava que a internet iria ser a coisa mais inclusiva, mas acho que estamos aumentando o abismo.”

O conteúdo continua sendo elencado como o fator mais importante para um negócio de sucesso. Gianni Carta, editor do website de CartaCapital, falou da sua experiência à frente da página eletrônica da revista. "A CartaCapital tem uma marca, que é uma linha editorial progressista: pró-mercado, mas contrária a uma globalização desenfreada. O website tem de refletir mais essa marca, esse brand”, diz Carta.

Divergência

No painel “O Futuro da Mídia”, o debate girou em torno de uma divergência entre Luiz Carlos Azenha,  Marcelo Coutinho e Enor Paiano. Paiano é diretor de publicidade do UOL e Coutinho é diretor de Inteligência de Mercado do portal Terra, os dois grandes do jornalismo e entretenimento online. Já Azenha é dono do blog “Vi o mundo”, em que escreve sobre política.

“A ecologia da mídia é a mesma de 50 anos atrás. O peixe grande come o peixe pequeno”, afirmou Azenha, iniciando a polêmica que se estenderia por quase toda a mesa. Isso porque Coutinho e Paiano defendiam a ideia de que, com a democratização dos instrumentos de mídia proporcionada com a internet, mais pessoas passariam a ser produtoras, quebrando o monopólio dos grandes meios de comunicação. Como exemplo, Paiano citou o UOL, que possui 300 sites agregados de pequenos empresários da mídia. Esses sites são geralmente administrados por uma pessoa que faz a página e terceiriza serviços. “Alguns são remunerados, outros não”, observa Paiano.

Para contrapor a teoria, Azenha citou o próprio caso: o blogueiro afirma que não recebe quase nada para tocar o site e ainda tem gastos fenomenais em processos pelo que escreve. Para justificar, Coutinho afirmou que o problema é o tema: o jornalismo político sempre deu prestígio, nunca deu receita. O que vende é Esportes e Celebridade. “É claro que um blog politizado enfrenta mais pressões, como o Movimento”, argumenta Coutinho. O  jornal Movimento foi uma publicação fundada em 1975 que sofreu forte repressão durante a Ditadura Militar.

A grande questão, no entanto, é como sustentar o modelo digital e se, de fato, o papel entrará em decadência. “Talvez o online não signifique o fim do papel, mas como essas coisas podem coexistir”, colocou a moderadora e repórter especial de CartaCapital, Cynara Menezes. Mas a mesa discordou. Coutinho foi incisivo ao afirmar que o papel vai sim acabar, em pouco tempo, mesmo com a venda de jornais aumentando e os anúncios se concentrarem em grande parte nas publicações dos grandes veículos. Mas, diz ele, a cada reajuste, os anúncios ficam mais baratos, sufocando as empresas.

Paiano acredita no fim do modelo de produção que hoje assistimos: o grupo de pessoas que filtra a informação para todas as outras será posto em xeque. A televisão, segundo ele, terá ainda uma sobrevida, uma vez que o mercado publicitário está em torno do orçamento da rede Globo.

O americano Saman Rahmanian também foi categórico ao apostar no fim da mídia impressa. Os Estados Unidos estão anos na frente nesse processo, e já assistiram a naufrágios de diversos veículos de comunicação. Para Rahmanian, o papel se extinguirá e a notícia será dada em outro formato. “Uma redefinição do trabalho será necessária se quisermos nos manter no mercado”, oferece Rahmanian. “Todo mundo tem as ferramentas, mas nem todo mundo tem coisas interessantes para dizer."

Fundamental, conclui ele, é oferecer conteúdo.

Texto reproduzido do site: cartacapital.com.br

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

“O mundo caminha a longos passos para a convergência midiática”

Foto: Coletivo ISO AÍ/Divulgação

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 13/11/2017.

“O mundo caminha a longos passos para a convergência midiática”

JORNAL DA CIDADE entrevistou o cineasta Marcolino Joe.

Por: Gilmara Costa/Equipe JC

É sobre produção de audiovisual, a baixo custo, com equipamento que cabe no bolso e na palma da mão, que o cineasta Marcolino Joe conversou com o JORNAL DA CIDADE. Atento às inovações tecnológicas e compartilhando o conhecimento que possui quando o assunto é imagem, som e ação, Marcolino ‘antecipa tendências’ e propõe a ideia de fazer filme, vídeo institucional ou clipe, com qualidade na captação, edição e exibição. Para tanto, tem realizado a oficina Produção Audiovisual com Celular – Cinema de Bolso, que já desembocou num e-book gratuitamente disponibilizado no site www.cinemadebolso.com.br . Boa leitura!

JORNAL DA CIDADE - Audiovisual e baixo orçamento se relacionam harmoniosamente?

MARCOLINO JOE -  Quando afirmo que o orçamento é a estética estou dizendo que a falta de grana estimula a criatividade. Não estou dizendo que deva haver desdém na produção, mas é preciso achar caminhos para transformar aquela ideia em imagem, mesmo sem os equipamentos ideais. É aí que entra o Cinema de Bolso. 

JC - O e-book ‘Como gravar vídeos com celulares’ é uma consequência da oficina que tem ministrado em Aracaju?

MJ - Diretamente. As dicas que eu compartilho na oficina podem, agora, chegar a muito mais pessoas. Obviamente que não se compara ao processo presencial, mas é um start. Nele, busquei compilar de forma didática, leve e descontraída, todo o aprendizado que conquistei nesses quase 10 anos de audiovisual com o material que eu encontro espalhado pela net. Os comentários da galera me deixam muito orgulhoso do resultado.

JC - A primeira edição da oficina, em setembro deste, alcançou o resultado esperado entre participantes? Na prática, os avanços foram perceptíveis?

MJ - Depois da oficina, a gente monta um grupo no whatsapp para que eu possa continuar prestando consultoria. O que mais vejo são os participantes dizendo que estão usando essa ou aquela dica para produzir seus vídeos e como elas fizeram diferença no resultado final. Isso é muito gratificante.

JC - A oficina e o e-book direcionam para as produções mais curtas, como vídeos institucionais ou trailer?

MJ - Se você quer ser youtuber, eu mostro os caminhos da edição e do roteiro. Se quiser fazer um institucional com entrevistas, eu ensino como dirigir o entrevistado e captar o áudio da melhor forma possível. Se a ideia for um clipe, eu compartilho as principais formas de garantir ritmo e efeitos disponíveis no programa de edição. Na verdade, não importa o objetivo que o participante busca. Na oficina, ele vai entender todo o processo e sairá capaz de produzir vídeos de qualidade usando apenas o celular como ferramenta de captura.

JC - Enquanto cineasta, tu acredita que essa praticidade na criação de um produto audiovisual possa ‘banalizar’ as produções de vídeo clipes, curtas e longas?

MJ - Não. Acredito que isso permite uma maior democratização das produções audiovisuais. O fato de ser mais acessível não quer dizer, necessariamente, que os produtos a partir de agora serão inferiores esteticamente. É o contrário: agora ficou um pouco mais possível – principalmente para os historicamente excluídos – registrar e construir narrativas sobre suas vidas.

JC - É mesmo possível fazer um longa com apenas um celular na mão?

MJ - Sim. O primeiro longa-metragem totalmente filmado com um telefone celular se chama “Olive”, de Hooman Khalili. “Tangerine”, do Sean Baker, um sucesso no festival de Sundance, foi filmado com dois iphones 4s. No Brasil, Frank Moura fez o primeiro longa produzido apenas com imagens captadas com um celular. Se chama ‘Charlote SP’.

JC - É truque ou saber usar corretamente a tecnologia em mãos?

MJ - O “truque” é compreender a linguagem audiovisual e usar corretamente a tecnologia. É isso o que eu ensino na Oficina de Produção de Vídeos com Celular.

JC - Já tem muita coisa boa sendo produzida pelo mundo afora?

MJ - A lista é interminável. Uma busca rápida no Google por filmes feitos com celular aponta uma série de produções de qualidade estética e de imagem.

JC - Acredita que Sergipe está apto a aliar novas tecnologias e ótimo custo-benefício no que produz de conteúdo audiovisual?

MJ - Coincidência ou não, mas desde que parei de produzir o tr3s.minutos (Festival Sergipano de Micrometragens, teve duas edições 2011 e 2012, e contou com mais de 500 filmes do Brasil inteiro feitos com celular) não vejo mais jovens cineastas experimentando produzir vídeos com o que tem nas mãos. Vejo a galera esperando ter grana – via edital – para produzir conteúdo.

JC - Ou ainda observa um certo conservadorismo nesse meio no estado?

MJ - Muita gente ainda acha que filmes feitos com celular não podem ser considerados cinema. Que reduzem a experiência fílmica à sala escura. Isso não é um privilégio de Sergipe. O problema é que isso limita a possibilidade de surgirem novos produtores, novos olhares. É não perceber que o mundo caminha a longos passos para a convergência midiática. Para o consumo de conteúdos audiovisuais em diversas plataformas. É o futuro que já se faz presente. É preciso antecipar essas tendências. É o que eu faço desde 2011...

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Maior engajamento faz mídia digital crescer mais que a tradicional

Imagem: Shutterstock.

Postado originalmente no Blog Publicidade, em: 13 de junho de 2017

Maior engajamento faz mídia digital crescer mais que a tradicional

Ano a ano, o mercado está migrando para a publicidade digital. E essa é uma tendência irreversível que aparece na 18ª Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia 2017-2021, realizada pela PricewaterhouseCoopers (PwC) em 54 países. O levantamento mostra alguns nortes para o futuro da publicidade. Um deles é que o maior engajamento com a marca será mais decisivo do que o volume da audiência para o sucesso das campanhas.

Quando se fala em engajamento, o digital tem todas as vantagens competitivas. “Empresas que utilizam a tecnologia e a análise de dados para entender os desejos dos consumidores terão mais chances de crescimento nos próximos anos”, diz o texto de apresentação da PwC. “É fundamental saber mais sobre quem são os usuários, o que querem, como, quando e onde gostariam de receber o conteúdo desejado. Fãs mais engajados são menos suscetíveis a abandonar o que realmente gostam e, ainda por cima, recrutam os fãs de amanhã.”

Em números do Brasil, a pesquisa prevê que, enquanto o investimento em mídias digitais deve crescer 12% ao ano até 2021, nas mídias tradicionais o ritmo será menor. Para TV, por exemplo, a projeção é crescer 5,5% ao ano. Já para jornais e revistas, o investimento deve cair 3% e 5% por ano, respectivamente. Embora por aqui o volume total gasto em publicidade digital deva continuar menor do que em TV até 2021 (US$ 3,5 bilhões contra US$ 6,7 bilhões), a diferença de share tende a diminuir ao longo dos anos.

Conteúdo e experiência do usuário para engajar mais

Para conseguir engajamento, além de conhecer o perfil da audiência, as empresas precisam se apoiar em conteúdo relevante, experiências envolventes e distribuição assertiva, segundo a pesquisa. “Se orientar em torno desses fãs e desenvolver competências-chave que ajudem a empresa a operar com maior flexibilidade e agilidade em relação a conteúdo, distribuição e experiência do consumidor podem ser o caminho para o sucesso futuro.” A experiência do usuário, aliás, será o grande pulo do gato que tornará o conteúdo das empresas de entretenimento e mídia mais atrativo.

Resultados em tempo real

Segundo a pesquisa, as mídias digitais “permitem uma melhor segmentação do mercado e o anúncio direcionado com o uso dos dados”. Enquanto TV se apoia em audiência em massa sem direcionamento e sem possibilidade de medir resultados, o digital mede tudo em tempo real: mapeia perfis de público, distribui com segmentação precisa e acompanha os resultados em todas as fases de contato com o anúncio, o que permite otimizar a campanha enquanto ela acontece. Em grandes propriedades de web, como o UOL, por exemplo, o anunciante ainda consegue ter grande cobertura de público com conteúdo e inventário de qualidade.

Games é o segmento que mais cresce no digital

O brasileiro é gamer, mostra a pesquisa. Ao ano, a expectativa é que a receita do segmento cresça 26% até 2021, e atinja US$ 712 milhões. Quase 100% da receita de games no Brasil vem das plataformas digitais e é impulsionada por jogos para dispositivos móveis. O UOL está dentro desse movimento com dois produtos. A XLG UOL é uma liga independente de e-Sports que promove campeonatos dos games mais famosos do mundo. E o GO4GOLD, o meio de pagamento usado na compra de jogos e atributos. Com essa expertise, dados e audiência, pode ajudar as marcas a se posicionarem no cenário de games em crescimento.

Texto e imagem reproduzidos do site: blog.publicidade.uol.com.br

domingo, 27 de agosto de 2017

Revista Brasileiros, agora somente em digital


---------------------------------------------------------------------------------------------------

Foto: Hélio Campos Mello.

Editorial: a Revista Brasileiros vira a página. Conheça páginaB!

Por Editor do site, em 24/08/2017

Brasileiros foi fundada dez anos atrás no embalo de um País que buscava crescer economicamente e pretendia dar voz a seus cidadãos.

A liberdade de expressão, o respeito às diferenças e o cuidado com o outro formaram parte das nossas consignas e estiveram estampadas nas nossas mais de 25 mil páginas.

Desenvolvemos na Seminários Brasileiros, seminários públicos, difundidos - naquela época pela primeira vez - pelo sistema de streaming, o que permitia, a milhares de pessoas, ter acesso gratuito à voz de ministros, empresários, acadêmicos e profissionais que discutiam, a partir de diferentes pontos de vista, “como se faz um País”.

Lançamos iniciativas editoriais ligadas à inovação, política, economia.  Especialmente ARTE!Brasileiros e Cultura!Brasileiros, se tornaram uma referência no mercado.

Contudo, há três anos, o cenário nacional e internacional mudou. Instaurou-se um quadro de esfacelamento nacional e de recursos escassos, em que a classe média foi impelida a pagar a conta e enormes grupos que na fartura ganharam inclusão social, agora perderam poder de compra, em especial no que se refere à possibilidade de ter acesso ao capital cultural, necessário para se educar e crescer efetivamente.

Diante disso decidimos defender o que construímos mantendo nossos princípios, de jornalismo comprometido com a informação a serviço da formação e da reflexão. Atuando na defesa das grandes questões contemporâneas: a diversidade social, de gênero, de étnico-racial, de território, de religião.

Por outro lado, a mudança efetiva de milhares de leitores para mídia digital e a mudança cultural no modelo de construir a notícia, onde nas redes sociais inúmeros usuários produzem uma enxurrada de informações nem sempre verdadeiras (fake news), ou devidamente checadas, nos leva a acreditar que     mídias capazes de nos fazer refletir sobre o momento que vivemos tornam-se fundamentais. Mídias que tenham como premissa a experiência e o rigor editorial.

Por isso, a Brasileiros se reposiciona perante o mercado e lança uma nova plataforma de comunicação: o portal páginaB!.

Seguindo a linha editorial das revistas, o portal páginaB! privilegiará, em ambiente digital, em todos os formatos de acesso: uma ampla seleção de reportagens, análises produzidas por mais de 20 colunistas, belíssimas imagens, artigos e, como sempre, o respeito ao leitor. Este projeto dará espaço de forma especial à linguagem de vídeo, com entrevistas e debates com especialistas em literatura, arte contemporânea, comportamento, educação, antropologia, economia, psicanálise e filosofia.

As revistas Brasileiros e CULTURA!Brasileiros deixaram de circular em formato impresso a partir de maio deste ano e migram integralmente para o portal.

A ARTE!Brasileiros continua no formato impresso, publicada bimestralmente e também pode ser acompanhada no páginaB!.

O portal páginaB! poderá ser navegado e lido integralmente de forma totalmente gratuita até dia 1º de outubro de 2017.

A partir dessa data pediremos ao leitor que colabore com sua assinatura ao projeto, com uma pequena quantia, como forma de defender nossa proposta de um jornalismo com rigor editorial e sustentável.

Agradecemos especialmente a brava equipe que no meio deste turbilhão topou ir em frente e colaborar com o novo projeto.

Desde já agradecemos a todas e todos,

Patricia Rousseaux e Hélio Campos Mello.

Texto e imagem reproduzidos do site: paginab.com.br

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Mídias tradicionais perdem campo para as mídias sociais


Publicado originalmente no site Dr. Conteúdo, em 24 de março de 2011. 

Mídias tradicionais perdem campo para as mídias sociais. Veja por quê.

A força e o dinamismo da internet têm levado grandes veículos da mídia tradicional a acabarem com suas operações ou repensar e refazer suas estratégias de manutenção e crescimento.

Por Newton Alexandria (em gerir).

As pessoas estão cada vez mais absorvidas em múltiplas atividades do dia a dia. Os dias e as horas continuam com a mesma duração, mas as ocupações se estenderam. Assim, pessoas que com mais frequência liam jornais e revistas, ouviam rádio e assistiam à TV agora passam a buscar predominantemente a internet para informar-se, entreter-se e tudo mais, de forma objetiva e dinâmica.

Com audiências cada vez menores (aqui e aqui), as mídias tradicionais, especialmente a TV e os jornais, perdem cada vez mais anunciantes, que veem que os retornos sobre investimentos (ROI) em divulgação e propaganda são cada vez menores por esses canais.

A TV tem cada vez maior oferta e concorrência entre as emissoras, que parecem oferecer conteúdos sempre seguindo o mesmo padrão, com segmentação praticamente nula, enquanto a internet é um canal extremamente diversificado e com conteúdos à disposição e à escolha farta por apenas um clique. Sem contar que parte considerável das gerações X, Y e Z já assiste à TV pela própria internet, pelo celular.

Na última década, grandes conglomerados de mídia impressa no mundo inteiro viram a circulação de seus jornais e revistas despencar de forma assustadora. Um número cada vez menor de pessoas lê jornais impressos, hábito predominante nas nascidas entre 1960 e 1980. O que simboliza que as novas gerações – especialmente a Z e a esmagadora maioria da Y – estão cada vez menos interessadas nesse tipo de formato de informação e entretenimento.

O mundo online desbancando as velhas mídias

É nesse novo (?) cenário que as mídias sociais (ou novas mídias) vêm com força total. Aliás, elas são a chave para a comunicação daqui para a frente. Seja em conjunto com as mídias tradicionais ou isoladamente, elas são decisivas para a maior aproximação de consumidores e marcas de todos os segmentos e matizes. As próprias mídias tradicionais já se apoiam nas novas mídias para segurar a audiência.

Mensagens instantâneas, fartura de vídeos, milhões de atualizações em blogs, mobilidade, barateamento da banda larga e facilidade no acesso e compartilhamento dos mais variados aspectos pessoais e profissionais só aumentam a participação na internet e puxam cada vez mais as mídias tradicionais para baixo. E o Brasil está nas primeiras colocações em acesso e consumo na internet. Veja em “Grandes números do Brasil nas mídias sociais – mobile e velho marketing”.

O que assistiremos, no Brasil e em outros mercados emergentes, será a forte migração da publicidade, principalmente da TV, para a internet, com a aplicação muito mais segmentada de públicos e interesses, como já acontece nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Conteúdo é o mantra

Nessa forma de comunicação do presente e do futuro, entra um elemento-chave: o conteúdo. Em palestras, workshops, seminários, fóruns e demais eventos relacionados à comunicação, internet, tecnologia e negócios, todos, em uníssono, abordam a importância do conteúdo para a conquista e fidelização da audiência, da clientela.

Porém, não dá para repetir os velhos hábitos das mídias tradicionais; são necessárias a produção e oferta de conteúdo digital novo, original, específico, de forma que a audiência sinta que o conteúdo foi pensado e produzido com foco nela, que atendam aos interesses dela, que crie aproximação.

Adapte-se ou morra

As mídias tradicionais não morrerão, mas é certo que dividirão entre si a menor fatia do público, enquanto crescerá a escolha pelas mídias sociais atuais e por outras que ainda estão por vir.

A mensagem a deixar é que, num caminho que parece irreversível, as mídias tradicionais a cada dia chamam menos a atenção das pessoas, em detrimento da internet, onde buscam comunicar-se, informar-se, compartilhar, divertir-se, consumir, trocar, dividir, e sua empresa precisa aderir a esse universo, com estratégias bem pensadas e boas práticas.

Você tem duas escolhas: ver a internet como uma grande vilã ou aliar-se a ela.

Agora, um admirável mundo novo surge a cada dia. Esteja atento!

Texto e imagem reproduzidos do site: drconteudo.com.br

"Proposta do News Lab é ser uma ponte entre Google e redações"

Crédito:Reprodução.

Publicado originalmente no site do Portal Imprensa, em 20/07/2017.

"Proposta do News Lab é ser uma ponte entre Google e redações", diz líder do projeto
Por Fernando Arbex.

Criado há dois anos para ser uma ponte entre as redações e o Google, o News Lab passou a operar há três semanas na sede da gigante de tecnologia em São Paulo, localizada na Av. Brigadeiro Faria Lima. A ideia é que o projeto consiga ajudar profissionais a alcançar recursos capazes de melhorar o conteúdo do jornalismo praticado e, para isso, quatro temas de atuação foram identificados: jornalismo de dados, jornalismo imersivo, diversidade no jornalismo, e credibilidade e verificação.

“Todas essas áreas foram influenciadas pela tecnologia nos últimos anos. São áreas que a tecnologia e o Google podem dizer alguma coisa”, explica Marco Túlio Pires, responsável pelo Google News Lab no Brasil. Ele explica que a equipe do projeto pode contribuir com os jornalistas de quatro maneiras, que são formação de redes, pesquisa, programas e treinamento.

No dia 29 de junho, o Portal IMPRENSA errou ao informar que o objetivo do News Lab seria oferecer treinamento a jornalistas e estudantes, e que o programa iria dar bolsas e receber profissionais na sede da empresa em São Paulo para tocar projetos em parceria. A nota, que pode ser acessada aqui, foi atualizada às 11h34 do dia 11 julho.

Na verdade, os veículos ou universidades devem entrar em contato com o News Lab para agendar a visita dos profissionais às redações ou salas de aula. Assim, um grupo de jornalistas receberia treinamento para que consigam usar com maior eficácia as ferramentas do Google na produção editorial.

“Na maior parte das vezes, a gente vai até as redações, e aí são dinâmicas de grupo, oficinas práticas. Uso do Google Maps para contar histórias. Análise de dados no Google Sheets. Busca avançada, para poder investigar informações. Busca reversa de imagens para verificar a veracidade de imagens”, exemplifica o responsável pelo programa. O site do projeto também oferece uma série de cursos gratuitos em português que podem ser acessados aqui.

Quanto a pesquisa, Pires explica a proposta: “O que a indústria precisa saber sobre si mesma que pode ajudá-la a tomar melhores decisões? Como que o jornalismo pode entender o seu próprio mercado? NewsLab apoia pesquisas nessa direção. A gente também faz pesquisas originais para informar as equipes de produto do Google quais são as demandas dos jornalistas. As vezes tem uma ferramenta que é muito usada e o jornalista quer uma função que é muito específica da redação”.

Já o objetivo da formação de redes é conseguir colocar na mesma mesa muitos atores interessados em resolver problemas relevantes para o jornalismo. “O Google está em uma intersecção entre tecnologia, mídia, jornalismo, produção de conteúdo e os próprios leitores e usuários”, argumenta Pires. Uma dessas redes é a de universidades ao redor do mundo, pela qual o News Lab trabalha para conseguir enriquecer as ementas dos cursos e oferecer material relevante aos alunos.

Por fim, os programas desenvolvidos pelo News Lab têm por objetivo criar jornalismo de qualidade a partir de parcerias editoriais. “No Reino Unido, por exemplo, a gente fez uma série durante o Brexit com o pessoal do YouTube. Conectou uma redação com o YouTube, mas mostrando também dados ali do Trends para mostrar o que as pessoas estava pesquisando durante os debates”, conta Pires.

Confira abaixo as palavras de Marco Túlio Pires sobre cada uma das quatro áreas de atuação do News Lab:

Jornalismo de dados: "A tecnologia permitiu uma possibilidade massiva de dados, mas ela também tornou um desafio para que as redações e os próprios jornalistas pudessem acessar, processar, analisar, visualizar, contar histórias a partir desses dados. Você trabalhar com dados exige muito recurso: colaboração, treinamento, equipamento. Habilidades que antes não eram naturais do jornalismo. Apesar de o desenvolvimento tecnológico ter trazido uma oportunidade, ele também trouxe um desafio".

Jornalismo imersivo: "A tecnologia nos permitiu que novos tipos de narrativas pudessem ser criadas. Então, se você pegar o exemplo de realidade virtual, ou então realidade aumentada, ou então jornalismo com inteligência artificial, ou então esses assistentes de inteligência artificial em sensores e drones, por exemplo. Como você faz para descobrir essas novas narrativas. A tecnologia proporcionou essa oportunidade, o que é legal, o jornalismo sempre se propôs a buscar novas narrativas, mas você têm desafios éticos, técnicos e editoriais. Um drone, por exemplo, ele sobrevoar uma fazenda. O espaço aéreo ali é público ou não é? Você fazer a reconstituição de uma cena de uma crime com um óculos de realidade virtual, isso traz dilemas éticos. É uma série de questões que a tecnologia trouxe novas oportunidades,mas novos desafios também".

Diversidade no jornalismo: "Cada vez mais as pessoas podem produzir conteúdo, as plataformas estão aí para dar oportunidades para que as pessoas possam ser ouvidas. A tecnologia proporcionou isso. Hoje você tem o jornalismo-cidadão, digamos assim, muito mais prominente do que antes. Hoje qualquer pessoa pode postar um vídeo ao vivo do que está acontecendo. Qualquer pessoa pode twittar. A tecnologia, então, ela proporciona essa visibilidade, mas também, ao mesmo tempo, há um desafio muito grande para trazer essas vozes subrepresentadas para o debate midiático principal. Como é que a tecnologia informa que pautas podem estar sendo perdidas em um emaranhado de situações se não há diversidade nas próprias redações ou na própria cobertura?"

Credibilidade e verificação: "A tecnologia fez com que muita informação fosse divulgada, então, cada vez mais, a gente tem acesso a informação, por causa dos meios de comunicação, plataformas. Mas, ao mesmo tempo, ficou muito difícil separar fato de ficção. Muito difícil. Então como que a gente pode ajudar as redações a entender os desafios técnicos para separar o joio do trigo? Separar o que verdade do que é ficção? E aí qual é o papel da tecnologia nesse processo? Como a gente pode identificar essas matérias, dar mais autoridade a elas, essas matérias que são produzidas com jornalismo de qualidade? É pensando assim que a gente atua".

Texto e imagem reproduzidos do site: portalimprensa.com.br

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Cinform agora só na internet


Cinform agora só na internet.
Por Adiberto de Souza.

O jornal sergipano Cinform publicou nesta segunda-feira (10) sua última edição em mídia papel. O semanário foi transportado integralmente pra plataformas digitais: portal, podcasting, conteúdo em vídeo e uma edição adaptada para whats app. Segundo seu editor, jornalista Anderson Christian, “papel deixa saudades, mas é preciso livrar-se dessa amarra física, e – ao meu ver – ilógica, de colocar um carr o na estrada pra levar jornal pra Canindé, quando num ‘enviar’ se chega do mesmo jeito”.

Além de se adaptar à nova realidade tecnológica, o Cinform também buscou se livrar dos elevados custos da edição impressa. Entrevistado, em 1996, por Danielle Azevedo Souza para o artigo científico “A internet como suporte jornalístico em Aracaju”, o diretor executivo do jornal, Adriano Bomfim, deixou evidente os altos custos de produção. Segundo ele, as despesas com a impressão do semanário vão do papel à distribuição.

Na entrevista concedida a Danielle Azevedo Souza, Adriano Bomfim contou que os insumos para a produção do jornal impresso equivalem a 52% da receita. O gasto com pessoal, dependendo da receita do mês, chega a comprometer 20%. Bomfim também revelou que cada edição consume 24 bobinas de papel por semana, além de filmes (fotolito), chapas, reveladores e químicos, que equivalem a 7% da receita. O custo da distribuição representa 8% do faturamento.

O segundo na internet

Publicado na Revista de Economia Política de las Tecnologías de la Información y Comunicación, o bem elaborado artigo científico de Danielle Azevedo Souza conta que o Cinform foi o segundo jornal sergipano – o primeiro foi o extinto Gazeta de Sergipe – a se lançar na internet, em 1995. A proposta fracassou porque não havia um projeto específico para o suporte internet e os investimentos necessários para a aquisição de equipamentos (computadores de última geração e câmeras fotográficas digitais).

A pesquisadora Danielle Souza informa, ainda, que “sem linguagem e jornalistas especializados no novo meio, todo o conteúdo veiculado no impresso do Cinform era transposto para a internet, sem nenhuma mudança na estrutura do texto e na periodicidade (semanal). Ao contrário, constatou-se que a circulação do jornal começou a cair. A grande maioria dos leitores deixou de comprar o semanário nas bancas de revistas e passou a esperar pelo conteúdo que seria fornecido na internet”. Ela diz que a direção do Cinform percebeu que os acessos ao site no dia em que as matérias eram transpostas para o online eram bem maiores que nos outros dias d a semana. “A solução foi acabar com a versão online, que só viria a retornar anos depois, em 2004”, lembra Danielle.

Impressos em crise

A crise não afetou somente o Cinform. Para reduzir custos, os diários sergipanos Jornal da Cidade e Correio de Sergipe diminuíram suas edições semanais. Antes, eles circulavam de terça a domingo, mas, há cerca de um ano, circulam cinco dias semanais, sendo que a edição de sábado foi batizada de “final de semana” e traz encartados os cadernos que circulavam antes aos domingos. O Jornal do Dia é o único diário de Aracaju que continua circulando seis dias semanais.

Fonte: Destaque Notícias.

Texto reproduzido do site: core-se.org.br

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Jornal Cinform Digital


Meio digital na internet: um caminho sem volta!

Em mais um marco histórico de sua trajetória
desde a fundação em 1982, o CINFORM
mergulha de cabeça, a partir desta edição, no
universo multimídia e ilimitado da internet. Não
fomos o primeiro no Brasil, mas somos pioneiros
em Sergipe a migrarmos definitivamente
nossa plataforma de notícias, baseada na velha
mídia em papel e impressão offset, para a
multiplataforma diversificada e fantasticamente
multimídia da grande rede mundial de
computadores.

Como bem disse já alguns anos Ken Doctor,
um dos maiores analistas norte-americanos da
indústria de mídia e, durante 21 anos, diretor
editorial e de conteúdo da Knight Ridder, a
segunda maior empresa de jornais dos Estados
Unidos, “o mundo inteiro está presenciando
o declínio dos jornais impressos. A era da
internet concedeu, em menos de uma geração,
inacreditáveis meios para produzir e distribuir
notícias. E para lê-las em qualquer lugar, a partir
da maior diversidade de fontes inimagináveis”.

Ressalte-se que tais afirmações foram feitas
num momento em que os dispositivos móveis,
conhecidos por smartphones e tablets, ainda
não haviam se proliferado intensamente como
assistimos de 2015 até os dias de hoje.
Em sua obra Newsonomics, que avalia
as transformações dos jornais em mídia
digital, Doctor vaticinou que até o final desta
década uma dezena de empresas de mídia
multinacionais e de multiplataforma dominará
as notícias e as informações em todo o planeta.
E nem o jornal impresso, nem a televisão como
a conhecemos hoje, estarão entre as mídias
predominantes.

De fato, ao adentrarmos na segunda metade da
década referida, já é possível observar, a olhos
vistos e de forma galopante, a multiplicação
destes pequenos dispositivos móveis, os
celulares, sendo hoje utilizados como principal
instrumento de busca de notícias, por leitores
cada vez mais ávidos por informações, mas
dispostos a conseguí-las através da profusão
das novas mídias.

Chegamos à grande rede e convidamos você,
leitor, para participar ativamente deste projeto.
A interatividade é fundamental ao sucesso
dessa nova empreitada. Em contrapartida, lhe
oferecemos gratuitamente o acesso ao portal
de notícias e ao nosso sistema de classificados
online, atualizados diariamente. E ainda te
ofertamos, de modo offline, nossa revista
semanal eletrônica em formato pdf, sucessora
do velho jornal impresso, com notícias e
informações que reúnem inovação tecnológica
e qualidade editorial, com a credibilidade da
marca que você há muito aprendeu a gostar.
Seja bem-vindo a nova era da notícia no
CINFORM.

Texto e imagem reproduzidos do site: cinform.com.br

terça-feira, 11 de julho de 2017

“Temos de admitir que o jornalismo não é rentável”


Publicado originalmente no site El País Brasil, em 10 de julho de 2017.

Charlie Beckett: “Temos de admitir que o jornalismo não é rentável”.

O professor da London School of Economics analisa a profunda transformação dos meios de comunicação

Por David Alandete. 

Primeiro foi o Brexit. Em seguida, o referendo na Colômbia. Mais tarde, a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos. E mais recentemente o perverso resultado das eleições no Reino Unido, que mergulhou o país em uma profunda confusão. E não são apenas os cidadãos que estão confusos. As pesquisas e os analistas se equivocaram. Por meio de suas notícias, os meios de comunicação não souberam refletir fielmente o estado de espírito dos eleitores. Charlie Beckett (Londres, 1961), jornalista de longa trajetória, professor de mídia na London School of Economics e fundador do prestigiado think-tank Polis, acredita que a imprensa precisa de várias sessões de terapia para reencontrar sua razão de ser. Sua função continua sendo a mesma de sempre: relatar fatos, separando-os da opinião. Enquanto isso, os jornalistas devem resistir a muitos cantos de sereias.

Pergunta. O resultado das eleições no Reino Unido foi inesperado. Muitos de nós erramos em nossas previsões. Os meios de comunicação devem mudar a maneira de cobrir eleições?

Resposta. Acredito que sim. Estamos obcecados pelas pesquisas de opinião e nos esquecemos de informar. No Reino Unido, temos uma mídia muito centrada em Londres. Deve-se informar à moda antiga, de baixo para cima. Também é preciso ter uma edição digital. Está acontecendo algo terrível. Todos os jornalistas estão no Twitter e leem os tuítes uns dos outros, eles se retroalimentam e ignoram outras fontes.

P. Não apenas a mídia errou. Os políticos também não esperavam esse resultado.

R. É verdade. Por um lado, Theresa May fez uma campanha desastrosa. Ela se recusou a dar entrevistas mais profundas e a participar de debates. Jeremy Corbyn transitava no início em ambientes muito controlados, só em áreas de esquerda. À medida que a campanha avançava, seus assessores foram suficientemente inteligentes para obrigá-lo a fazer mais. Não só porque ele era muito popular, mas também como uma maneira de dizer: “Somos abertos, honestos, atraímos multidões e temos muita gente nas redes sociais”. Isso levou à ideia de que os trabalhistas tinham uma mensagem positiva e eram o partido da mudança.

P. Mas quase não se falava disso. Parecia que Corbyn levaria os trabalhistas a uma derrota histórica.

R. A informação em alguns jornais foi muito hostil a Corbyn e se voltou contra os próprios meios de comunicação. Ajudou a inflamar os ânimos entre os seus seguidores, que foram para a Internet e as redes sociais e compartilharam muita propaganda trabalhista. Não estou dizendo que isso iria mudar tudo, mas houve uma dinâmica em que a imprensa de direita alimentou o entusiasmo da esquerda. Não sei se acontece na Espanha, mas geralmente no Reino Unido, no período de campanha, as coisas não costumam mudar. Nesta campanha sim, porque May esteve muito mal. Quanto mais as pessoas viam Corbyn, mais percebiam que não era um monstro.

Você não compartilha um artigo porque acha que é objetivo, mas porque gosta dele emocional ou politicamente.

P. O senhor descreveu essas eleições como eleições falsas. Por quê?

R. Porque todas as suposições dos meios de comunicação e dos políticos acabaram se revelando falsas. A mídia fez uma falsa ideia do que iria acontecer e os políticos também. A razão pela qual essas eleições foram realizadas é o Brexit. May disse que tínhamos de fazer eleições para conseguir uma liderança forte e estável capaz de negociar com a Europa. Mas não disse o que ia negociar. E aconteceu o mesmo com os trabalhistas, que se recusaram a falar do Brexit.

P. Muitos dos efeitos perturbadores que o senhor descreve estão relacionados com as mudanças tecnológicas nos meios de comunicação. Acredito que hoje em dia, em processos eleitorais na Espanha e no resto do mundo, os leitores não têm as ferramentas para distinguir a informação da opinião. Os jornais sempre publicaram editoriais e colunas assinadas. Isso é hostilidade?

R. Refiro-me ao Reino Unido, onde sempre tivemos uma imprensa muito partidária. Ela se fixa em alguns fatos, mas os vários jornais informam de maneira totalmente diferente segundo sua orientação política. É estranho, mas os britânicos talvez estejam mais acostumados com a ideia de que as notícias são subjetivas. Acrescente a isso o surgimento de uma nova série de sites de esquerda que são muito, muito partidários. As pessoas os leem não porque sejam equilibrados ou objetivos, mas porque concordam com eles a partir de um ponto de vista emocional.

P. E esse boom de sites mais ideológicos é acompanhado pelo aumento das notícias falsas.

R. Agora existe a noção de que a verdade não tem nada a ver com os fatos. Para muitos leitores, uma notícia falsa é uma notícia com a qual discordam. Antes você lia o The Sun se fosse de direita e o The Guardian se fosse de esquerda. Agora, você pode estar no Facebook ou no Twitter e compartilhar algumas notícias ou outras dependendo dos seus preconceitos. Você não compartilha um artigo porque acha que é objetivo ou contém boas informações, mas porque você gosta dele emocional ou politicamente. Nesse sentido, todos na Internet fizeram parte da campanha eleitoral, de um lado ou de outro, o que fez com que as eleições fossem muito mais voláteis e mais difíceis de cobrir para a imprensa.

P. Como um jornalista pode fazer seu trabalho agora, nesse campo minado emocional?

Me preocupam muito as informações financiadas por Zuckerberg

R. É difícil porque a imprensa generalista britânica começou a misturar opiniões e fatos. Mesmo a BBC, quando dá uma notícia, imediatamente emite uma análise. E a análise inevitavelmente inclui uma opinião. Os meios de comunicação estão descobrindo, em um mercado muito competitivo, que quanto mais tendenciosa é a informação, mais as pessoas gostam. Portanto, também existe uma espécie de pressão do mercado. Hoje, é mais necessário que o jornalista desempenhe o seu papel e diga: “Olha, sei que do ponto de vista emocional você acredita nisso, mas estes são os fatos”.

P. Os meios de comunicação estão mergulhados em uma grave crise econômica porque ainda não sabem como explorar comercialmente a distribuição digital. O senhor acredita que plataformas como Google ou Facebook devem subvencionar de alguma forma o jornalismo?

R. Os bons jornalistas são muito bons. Produzem notícias interessantes e estimulantes e estão muito bem informados. Eles têm experiência. É disso, francamente, que as redes sociais precisam. Mas daí a dizer que o Facebook deveria dar um cheque ao EL PAÍS ou ao The Guardian há muita diferença. Me preocupa muito que o jornalismo seja financiado por Mark Zuckerberg. Nesse sentido, eu não confio nele.

P. Se essas plataformas obtêm substanciais receitas de publicidade, como fizeram os meios de comunicação durante décadas, o que as impede de contratar jornalistas e não ter periódicos?

R. A principal razão é que o jornalismo não é rentável. Admitamos: as notícias são uma parte minúscula dessas redes. De fato, os meios de comunicação são necessários do ponto de vista político. Políticos e governantes não gostam que existam notícias falsas ou extremismo. Nesse sentido, os políticos são aliados da mídia. Reconhecem que os meios de comunicação desempenham um papel na economia, na política e na democracia. Acredito que o jornalista, em certo sentido, se esqueceu disso. Esquecemo-nos de gritar as razões pelas quais o jornalismo é útil e, principalmente, importante. Agora parece que começamos a perceber.

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

“O problema é que damos todo o poder... ao Google e Facebook”.


Madri - 20 de junho de 2017.

Entrevista | Eli Pariser. 

“O problema é que damos todo o poder para plataformas como Google e Facebook”.

Um dos mais destacados empreendedores e ideólogos da Internet defende a utilidade do conteúdo viral nas redes sociais.

Por David Alandete. 


São tempos agitados em ambos os lados do Atlântico, entre o naufrágio do Brexit e a ascensão de Donald Trump à Casa Branca. Embora a maioria tenha mergulhado em um estado de choque com tais resultados das urnas, Eli Pariser (Maine, 1980) manteve a calma: ele já previa tudo isso. Seu livro O Filtro Invisível — O Que a Internet Está Escondendo de Você, publicado em 2011, analisa como plataformas de Internet como Facebook e Google, com seus complexos algoritmos, filtram a informação que chega ao internauta de tal modo que este acaba exposto apenas a ideias que lhe são afins, rejeitando argumentos contrários e enriquecedores. Segundo escreveu Pariser, “a democracia requer que os cidadãos vejam as coisas a partir de outros pontos de vista, mas, em vez disso, estamos cada vez mais fechados em nossas bolhas”.

Pergunta. Esse conceito de bolhas com filtros que você tornou famoso pode explicar o resultado das eleições de Donald Trump, nos EUA, e Jeremy Corbyn, no Reino Unido?

Resposta. Sim e não. Não acho que Trump tenha sido eleito apenas por causa das redes sociais. Basta olhar para os eleitores que o apoiaram esmagadoramente. Não são pessoas que se informam por meio do Twitter ou outras redes sociais. E, ao mesmo tempo, a surpresa que os jornalistas e as elites políticas tiveram ao ver que Trump havia vencido as eleições é explicada pelos filtros-bolha, com os quais se esqueceram facilmente da realidade em que viviam muitos norte-americanos. O mesmo aconteceu no Reino Unido.

P. Os jornais impressos são cada vez menos lidos. Mesmo sites de notícias perdem força diante da distribuição de informação em plataformas como Google ou Facebook. Devem ter algum efeito sobre o voto...

R. Com certeza. O que quero dizer é que ainda não chegamos ao ponto onde a grande maioria das pessoas recebe suas notícias por meio desses algoritmos. Claro que existem pessoas que são viciadas no consumo de notícias e constantemente visitam os sites dos jornais, mas é uma parte muito pequena da população. Além disso, há uma grande maioria que espera que o Facebook os avise se algo é suficientemente importante. Isso sim é uma maioria do eleitorado. Consumir notícias por meio de suas redes de amigos e algoritmos.

P: Você introduziu o conceito de filtro-bolha em 2011. Muitas coisas mudaram na Internet. Essa ideia permanece intacta?

"Temos de admitir: hoje em dia as notícias concorrem com o entretenimento e devem ser atraentes"

R. O conceito básico, sim. Existe esse processo de filtragem, de uma enorme quantidade de informações que podem chegar ao leitor, que são selecionadas por esses algoritmos. O que mudou é que toda esta construção tornou-se consciente de si mesma. Agora, os meios de comunicação como o seu criam notícias e as distribuem com a intenção expressa de entrar nessa bolha e chegar até os leitores.

P. Algumas pessoas discordam desse conceito. Quando falamos de uma bolha, pensamos em um leitor isolado. Mas também se pode interpretar a Internet como um meio onde descobrimos informações e ideias que nem imaginamos que existem.

R. Sim, a Internet pode ser uma ferramenta extraordinária para descobrir ideias. Posso ler qualquer jornal do mundo, algo impossível há 20 anos. Mas, faço isso? Não. As possibilidades são diferentes da realidade. O Facebook se concentra cada vez mais nos vídeos e, especificamente, em assistir a vídeos de forma passiva. Isso não é um modelo de descoberta.

Em 2012, Pariser fundou o Upworthy, pioneiro dos sites virais. Suas manchetes mudaram as regras do jogo na Internet, procurando fomentar a curiosidade. Um perfeito exemplo: “Alguém deu uma tesoura para algumas crianças. Isto é o que aconteceu depois”. Impulsionado pelo algoritmo do Facebook, o Upworthy chegou a somar 80 milhões de usuários únicos. Em pouco tempo, a rede social passou a censurar essas manchetes, que considera enganosas.

P. Com o Upworthy, vocês perceberam que os fatos em si não despertam curiosidade. É necessário um apelo emocional. Mas esse método de viralização pode durar?

R. Nossos métodos com o Upworthy foram muito copiados. Às vezes eu gosto dessas cópias, outras não. Nossa intenção era tornar as notícias divertidas e atraentes, além de informativas. Temos de admitir: hoje em dia as notícias concorrem com o entretenimento e devem ser atraentes.

"No passado havia rumores, teorias da conspiração, mas não adquiriam a aparência de meios de comunicação sérios"

P. Está ciente de que muitos jornalistas acreditam que o adjetivo “viral” é algo degradante para seu trabalho?

R. Sim. Acreditam que podem perder um pouco da complexidade e rigor. Por isso é preciso tomar precauções. O Upworthy tem uma equipe muito rigorosa dedicada à verificação de dados. Na verdade, o que é essa coisa chamada mídia viral? São meios de comunicação que as pessoas estão dispostas a compartilhar com seus amigos. Acho que não é uma aspiração ruim, porque, se conseguir, você faz um favor para as pessoas.

P. Aconteceu uma coisa no Upworthy que, para muitos editores de mídia, é um pesadelo: uma mudança de algoritmo no Facebook que afunda o tráfego. Como resolveram esse problema?

R. Se esse é o seu medo, não posso lhe dar uma resposta satisfatória. Antecipamos as mudanças que seriam feitas pelo Facebook e avançamos nessa direção.

P. Transformaram o Upworthy em uma plataforma de vídeos.

R. De fato. Na verdade, sou um fatalista das plataformas de Internet como Facebook ou Google. A comunicação de massa já foi transferida para elas. Isso significa ceder a elas o poder de distribuição e aceitar que possam decidir o que entra ou não. É um problema, mas hoje não há alternativa para elas. Além disso, acho que é bom ter meios de comunicação com a participação de um grande número de pessoas, algo importante em uma democracia, pois esta não pode se servir apenas de um pequeno grupo de cidadãos altamente cultos que pagam por suas informações.

P. Falando de democracia e de sua estabilidade, as notícias falsas são algo novo?

R. O que é novo é a capacidade que essas notícias falsas têm de chegar a milhões de pessoas, apesar de estarem alojadas em meios de comunicação dos quais ninguém nunca ouviu falar. Sim, no passado havia rumores, teorias da conspiração, mas não adquiriam a aparência de meios de comunicação sérios para aparentar credibilidade, como acontece hoje.

--------------------------------------------------------------------------------- 

Uma revolução no Ativismo Político: 

Na pré-história das redes sociais, entre 2004 e 2008, Pariser comandou a MoveOn.org, uma plataforma de mobilização política utilizada por um grupo de jovens idealistas que tinham um sonho: ver na Casa Branca um candidato no qual poucos apostavam, chamado Barack Obama. Os métodos e dinâmicas daquela plataforma, especialmente o ‘crowdfunding’, foram copiados em todo o mundo.

“Acredito que, naquela época, muitas pessoas perceberam que era possível se organizar politicamente de forma diferente. Anteriormente, tudo foi era feito com anúncios publicitários e campanhas muito limitadas, com propaganda clássicas”, afirma Pariser, que visita Madri a convite da Fundação Telefônica, do Instituto Aspen da Espanha e Taurus. “Iniciativas como aquela demonstraram às pessoas que vale a pena se comprometer. Os políticos já não são mais financiados apenas por grandes lobbies ou grupos de pressão, e sim por cidadãos que se organizam.”

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

O que é webjornalismo?


Publicado originalmente no site Casa dos Focas, em 09 mai 2014.

O que é webjornalismo?
Por Giovana Nava.

Webjornalismo (cyberjornalismo, jornalismo online, jornalismo digital) nada mais é do que o jornalismo na internet. Antes era apenas um complemento – algumas empresas jornalísticas tinham sites que eram atualizados regularmente. Hoje, está se tornando o foco principal de todos veículos de imprensa.

Pode-se considerar o webjornalismo como a nova televisão, pois muita gente passa mais tempo online do que diante da TV assistindo algo. Atualmente, a internet é o meio mais eficiente de se fazer qualquer atividade: obter informações, conversar, estudar, trabalhar… Além de sua instantaneidade, que faz com que o cyberjornalismo seja a forma mais fácil de obter notícias.

Porém, na web encontra-se muito conteúdo. Por isso, é preciso encontrar uma forma de se destacar em meio a tantos assuntos oferecidos.

Como fazer webjornalismo?

Quando se trata de web, não se trabalha somente com textos. O jornalismo online é uma plataforma multimídia. Mais do que uma simples “notícia”, esse meio necessita de “conteúdo”. Fotos, vídeos, infográficos e tabelas passam a ser obrigatórios no webjornalismo. Esses novos conceitos trazem mais entretenimento e leveza para as reportagens.

Para trabalhar nessa área, é preciso ser ágil. A cada minuto os sites e portais de notícias devem ser atualizados. Por esse mesmo motivo, também é preciso ficar atento a não cometer erros. Ser rápido não significa ser relaxado. É preciso apurar a informação da mesma forma em qualquer meio jornalístico.

O cyberjornalismo é marcado por uma característica que não era muito utilizada até então: a participação do leitor. Na internet, é possível comentar e dar opiniões nas reportagens. Por isso, é preciso estar preparado para elogios e críticas de todos.

No novo cenário jornalístico, é preciso pensar não só na notícia, mas também em como ela será repercutida, pois hoje o jornalista não faz mais uma reportagem sozinho. Além de imagens e vídeos, a participação da sociedade é algo indispensável. Mas isso não significa que seja algo difícil de realizar. Com dedicação e fontes seguras, assim como em qualquer plataforma midiática, é possível chegar aonde quiser.

Texto e imagem reproduzidos do site: casadosfocas.com.br

sábado, 24 de junho de 2017

Jornais impressos não exploram bem recursos da Internet



Conversando com... William Robson

Jornais impressos não exploram bem recursos da Internet

Protagonista no uso da tecnologia, com várias iniciativas com as quais se tornou pioneiro no Ceará – como a informatização de sua redação na década de 1990 – e no Norte e Nordeste – como sua presença na internet desde 1995 – o jornal Diário do Nordeste é destaque no livro “Infografia Interativa na Redação” (Editora Sarau das Letras), de autoria do jornalista paulista, radicado no Rio Grande do Norte, William Robson Cordeiro.

Mestre em estudos da mídia, Cordeiro debruçou-se por dois anos sobre o tema da convergência de mídias e como o jornalismo tem tirado proveito da era digital e comenta em seu livro a experiência do Diário, com destaque para o canal de infografias interativas que o jornal mantém em seu website, a iniciativa da TVDN (canal de vídeo online dedicado ao jornalismo do Diário) e a edição do jornal exclusiva para tablet (“Diário do Nordeste Plus”).

William Robson é diretor de redação do Jornal de Fato, tendo começado sua carreira profissional como “foca” (jornalista novato, estagiário, no Gazeta do Oeste.

Entrevista com William Robson Cordeiro, jornalista, mestre em estudos da mídia e autor do livro “Infografia Interativa na Redação”.

Como se posiciona a infografia interativa hoje, entre o “pós-televisivo” e a era digital?

William Robson – Bem, é importante que façamos inicialmente uma rápida explicação deste termo “pós-televisivo”, que foi aplicado para novas variáveis como desenho e infografismo, novos tratamentos tipográficos ou de estilo, pela professora da Universidade de Santiago de Compostela, Margarita Ledo Andión, em seu livro publicado em 1993. Este conceito tratava do comportamento que os jornais adotaram um pouco depois do surgimento da televisão e desenvolvido com ênfase pelo USA Today nos anos 80, que se apoiava na informação visual. Ou seja, o advento da TV foi importante para causar uma mudança drástica na forma como os jornais diários eram produzidos. Enquanto crescia a audiência televisiva, os jornais impressos sofriam com a perda constante de leitores. A saída encontrada por eles, pelos jornais, baseava no desenvolvimento de novas soluções de leitura, fortalecendo o fotojornalismo, com imagens maiores no ambiente da página, além dos recursos do jornalismo gráfico e iconográfico. O início dos anos 80, com o jornal USA Today, foi marcante neste sentido, pois notamos jornais graficamente mais bonitos, com menos quantidade de textos e muito mais imagens.

Seria uma forma de atrair este leitor que fugia dos jornais e buscava a informação na TV, bem mais prática e atrativa. Os jornais pós-televisivos nasceram desta necessidade, buscando uma relação com a televisão, e foi um momento importante para a massificação da infografia. Este modelo acabou por influenciar jornais brasileiros, como a Folha de São Paulo, nos anos 80, um dos primeiros a recorrer constantemente aos infográficos. Eram tantos infográficos na Folha que, às vezes, ficava confuso de entender a notícia. Parecia que a novidade estava deixando todos na redação empolgados. Não foi à toa que muitos estudiosos começaram a chamar os jornais pós-televisivos de “televisão impressa”. O jornalismo foi reconfigurado com o advento da TV e os novos hábitos sociais de visualidade afetaram diretamente os jornais impressos.

No contexto atual, vivenciamos algo muito parecido, com a chamada “era digital”, até porque estou com o professor Muniz Sodré, que não gosta do termo “revolução digital”, que remete à ruptura. Melhor termo seria “transformações tecnológicas”, feitas de forma sistemática. Os periódicos estão novamente sendo provados a experimentações. A semelhança não está tão somente no aspecto logísitico da informação, uma infra-estrutura para a condução informacional, mas um reordenamento mercadológico no mundo inteiro. E este reordenamento passa pela forma como as pessoas se informam. Se hoje é pelo computador e não mais pelo papel, as empresas de jornais impressos também precisam se transformar. Isso integra a tal convergência, que transforma as empresas de informação em conglomerados multimidiáticos com efeitos na forma de produção e no produto ofertado ao público. E aí, a infografia novamente entra em cena, agora com a característica da participação, da interatividade e da multimidialidade.

Em sua análise, como o Diario do Nordeste se insere no contexto brasileiro no uso de infografia interativa, e em relação à região Nordeste?

WR – Ao longo destes dois anos de estudos,  que resultaram neste livro (“Infografia Interativa na Redação”), percebi que o  jornalismo na região Nordeste vem experimentando a infografia interativa, algo que sequer imaginava, diante da complexidade da produção e dos custos de investimento que muitos jornais não estão dispostos a aplicar. Bahia e Pernambuco também utilizam os infográficos para a internet. Esta descoberta, evidentemente, alterou a rota inicial do meu projeto de pesquisa e evoluiu para uma pesquisa mais intensa no Diário do Nordeste. E, logo de cara, percebi que o Diário do Nordeste tem uma forte vocação de vanguarda, de fazer experiências (aí lembro de projetos como a TVDN e do Diário Plus), de aplicar recursos em projetos que inicialmente parecem sem retorno.

A intenção do jornal em investir na infografia interativa, ao enviar equipes para conhecer outras experiências no Brasil, de contratar um profissional para produzir peças formatadas para a internet, de abrir um canal específico na página principal do site, mostram bem isso. O Diário do Nordeste percebe que a exploração de tecnologias está diretamente relacionada com a conquista de leitores, de manutenção da audiência. E segue uma tendência nacional, que explora muito bem este recurso e outros também bem inovadores, como os especiais multimídia e as publicações próprias para dispositivos móveis.

Quais são os elementos que caracterizam a infografia como “interativa”, que é o termo utilizado em seu livro?

WR – No meu livro, eu esclareço bem isso, de como a infografia interativa estabeleceu-se como forma nova de visualização de informação e, essencialmente, incorporou modelos de natureza participativa da audiência com o agrupamento de recursos multimídia. É uma linguagem que abriga vários meios, com o caráter de colocar o leitor no plano da interatividade, sob uma lógica midiatizada. Gosto muito de relacionar a ideia de infografia interativa com os pontos que o professor Marcos Palácios, da Universidade Federal da Bahia, delimita sobre o jornalismo praticado na internet: multimidialidade/convergência, interatividade, hipertextualidade, customização do conteúdo/personalização, memória e instantaneidade/atualização contínua.

É claro que não é fácil a gente encontrar, nas novas narrativas jornalísticas, todos estes elementos reunidos de uma vez só, diante de razões técnicas, adequação do produto ou a aceitação do consumidor sob o âmbito de mercado. Mas, um, outro ou mais são claramente observados. Aí, faço uma relação destas características com a infografia, na intenção de explicar melhor sua funcionalidade e como elemento importante no webjornalismo. Os infográficos interativos apresentam modelos de narrativa não-linear ou multilinear (através de um percurso definido pelo leitor), inseridos em ambiente eletrônico predeterminado pelo instrumento. Ou seja, o passeio digital pelo infográfico é possível a partir de opções previsíveis sugeridas pelo computador, não abalando o prazer proporcionado pelas interações.

É neste contexto digital, que abriu possibilidades para o infográfico ofertar diversos elementos e ser explorado pelo leitor sob uma perspectiva não antes vista. A dinamicidade da internet favoreceu uma lógica além das produções estáticas do jornal impresso, estabelecendo narrativas não-lineares (ou seja, o leque de opções de informação é mais vasto, por ser um hipertexto em si mesmo) e potencialidade de hipermídia.

Dentro do conceito de usabilidade, como você avalia as publicações digitais que temos no Brasil. (Sabemos que muitos utilizam os recursos simplesmente por disporem da tecnologia, mas dominar a tecnologia é diferente de saber como melhor usá-la).

WR – Não estamos lidando com um processo fácil de mudança de suportes. A internet como conhecemos é muito nova, dos anos 90, e o jornalismo como modelo de negócio tem mais de 200 anos. Não se trata de simplesmente adaptar a lógica do impresso aos meios digitais. É preciso descobrir qual a nova linguagem que estes periódicos vão utilizar na internet. É fácil? Claro que não. Os jornais apresentam novas propostas de informação todos os dias, sem falar que a era digital é muito fluida. Não está numa caixinha, não é estaque e o jornalismo tradicional, evidentemente, estranha tudo isso, porque foi acostumado a trabalhar somente com o binômio imagem + texto. E percebemos que os meios de comunicação se submetem a uma instância que pressupõe um deslocamento do método de transmissão tradicional para o digital.

McLuhan disse que estas mudanças traduzem-se numa violenta forma de quebra de padrões culturais. Então, é natural que notemos uma forte carga do jornalismo impresso impregnado nos sites, e descobrir como fazer diferente é realmente um desafio. Como a tecnologia está posta para os veículos de comunicação, os jornais tendem a fazer laboratório e não dá para encararmos que chegaremos ao formato estandartizado como no impresso, se a internet não é estandartizada. Refiro-me à aspectos de padronização mesmo. E não diria, por conta disso, que alguém esteja realmente “dominando” a tecnologia, ainda mais se tratando de jornalismo.

Geralmente, as publicações digitais para tablets trazem logo depois da capa um guia para que o leitor aprenda a interagir com a ferramenta. Estamos longe ainda de um modelo padronizado ou tão intuitivo que elimine essa necessidade?

WR – Tem muito a ver com o que eu falei anteriormente, a ideia de um jornalismo estandartizado, como testemunhamos no impresso, no rádio e na TV (que já está mudando muito atualmente). Dentro do processo da tecnocultura, já percebemos uma padronização das técnicas (a noção de que as pessoas sabem utilizar os dispositivos e de que estes dispositivos se assemelham em qualquer lugar do mundo) e, se assim não fosse, a internet não seria um vetor político de globalização e de consumo. Nas novas publicações jornalísticas para tablets, a proposta que vemos inicialmente – claro, que de experimento –, é de didatismo sobre novos produtos. A Superinteressante e outras publicações da Abril, por exemplo, têm ganhado versões para tablet, com seu manual de instruções, indo logo direto à questão e quebrando o que é intuitivo.

Os infográficos destas publicações apresentam recursos que vão além do passar o dedo na tela. Inclinar ou balançar o tablet já oferece outras sensações. O jornalismo tem muito disso, de orientar a audiência sobre o que parece complicado. Não é assim a explicação sobre “didatismo” nos manuais, de facilitar a vida do leitor? O jornalismo digital que estamos vendo bloqueia um pouco a possibilidade de intuição do usuário, que, a meu ver, gosta do intuitivo, gosta de descobrir, do lúdico, como nos games. Olha só, as poesias digitais, que se assemelham a ambientes surreais na internet, como as de Jason Nelson exploram bem o intuitivo. Sem manual de instruções. Mas, se os jornalistas são orientados a usar uma linguagem coloquial no texto jornalistico, o guia em publicações digitais tem a mesma intenção de facilitar a vida dos leitores.

A popularização dos dispositivos com telas sensíveis ao toque traz algum impacto na forma como os infográficos interativos podem ser apresentados?

WR – Sim, e já percebemos nas publicações tradicionais que ganharam suas versões para tablets. Os infográficos para tablets exploram outros recursos, como virar a tela, balançar o dispositivo ou rolar de uma extensão à outra da página. Tudo dentro de um ambiente de uma revista digital. Mas, ainda está bem no início. Apenas os grandes conglomerados de mídia oferecem este recurso com maior frequência. Os jornais regionais, sobretudo, os do Nordeste, estão no estágio da infografia interativa em seus sites jornalísticos. Não tenho visto infográficos interativos nas versões digitais dos impressos, por exemplo, como vemos nas revistas, o que parece ser um processo mais difícil, diante da periodicidade das publicações. E não diria que estão atrasados, de forma alguma. Pelo contrário, as poucas publicações nordestinas que enveredam por este caminho demonstram uma forte capacidade de adequação às novas formas de linguagem que se apresentam diante de nós.

Em sua opinião, o público leitor tem assimilado bem essa transição que a convergência de mídias tem imposto no formato como a notícia está sendo apresentada? Ele tem tido mais interesse pela notícia quando ela utiliza elementos multimídia interativos?

WR – É importante considerar que estamos inseridos em um contexto de tecnocultura ou de midiatização, quando somos condicionados a viver sob as lógicas da mídia. Não se refere tão somente ao conteúdo jornalístico, à estrutura simbólica neste processo de mediação, porém envolve, indispensavelmente, os dispositivos. É algo muito forte. Sem muito academicismo. Isso me fez lembrar novamente de McLuhan acerca do que ele denominou de “artefatos humanos”, considerando serem as extensões das pessoas ou o resultado da capacidade humana de criar o que ele chamou de “órgãos adicionais”. Os dispositivos, os computadores, smartphones, tablets, estão em nosso cotidiano como se fossem parte do nosso corpo. A partir daí, de entendermos este quadro, é que poderemos supor se o leitor está assimilando bem a transição da convergência midiática.

Olha só, as pessoas vivem uma nova era de consumo de informação a partir dos dispositivos e tenho notado que, a partir daí, nunca antes os jornais tradicionais foram tão lidos, rádios têm alcançado distâncias inimagináveis e a programação de TV tornou-se customizada. Mesmo assim, não dá para afirmar se o leitor tem maior interesse pela notícia por conta de elementos multimídia, mas os infográficos tiveram um papel importante para os jornais há algumas décadas. Hoje, os infográficos ganham novo formato, dentro deste âmbito de convergência, um instrumento a mais para que os jornais possam segurar seu leitor. É tudo uma tentativa ainda, em busca de uma linguagem própria, na intenção de fornecer notícia mais simples e rápida, diante de um turbilhão de informações que encontramos na internet.

Os jornais de hoje já exploram todo o potencial que a internet e os recursos multimídia permitem?

WR – Evidentemente que não e podemos até indagar: qual o limite do potencial da internet, né? Parece algo que não tem fim, uma capacidade inesgotável a ser explorada. Os jornais brasileiros enfrentam uma crise de identidade e financeira. Como a internet ainda não sustenta os jornais brasileiros, o impresso é quem paga a conta. Fazer novas experimentações ou montar uma redação digital com mais de 20 jornalistas, como o caso do Diário do Nordeste, não é barato. Os jornais não tem dinheiro sobrando para bancar esta estrutura. Desenvolver especiais multimídia, infográfios interativos, programas de TV para a internet, não é tão simples e precisa de gente especializada, que custa caro. Há um fator importante que percebemos nas redações: os jornais que se propõem a explorar mais os recursos multimídia em seus sites esbarram nos recursos humanos. Falta pessoal técnico para trabalhar com softwares específicos e produção de conteúdo multimídia.

Os cursos de jornalismo têm uma parcela de culpa, porque não acompanham o desenvolvimento do webjornalismo no mesmo ritmo das empresas. É comum encontrarmos profissionais que trabalham em experimentações para a internet nos jornais, vindos do design, são analistas de sistemas ou mesmo desenhistas que aprenderam fazendo. Tudo isso (dinheiro, pessoal, aperfeiçoamento técnico) trava as intenções de explorar o potencial que a internet é capaz de oferecer. No entanto, há um outro lado a observar: notamos produções importantes para a internet em grandes jornais brasileiros e até no Nordeste (aí volto a remeter aos projetos do Diário), que não são tão frequentes por razões que coloquei aqui, mas há uma direção que indica que os jornais querem experimentar mais, preparar seu pessoal para a internet, porque veem nela uma questão de sobrevivência num futuro bem próximo. E e é logico: o leitor está migrando para a internet. É preciso correr atrás dele.

No que os jornais ainda precisam investir para obter melhores resultados com a internet? Quais são os desafios para tirar melhor proveito desse recurso?

WR – Primeiro, acreditar no suporte. Os jornais ainda não veem a internet com a seriedade como deve ser vista. Os projetos na internet sempre caminham para fortalecer o impresso. Desgarrar do papel é um  desafio difícil. Jornalismo transcende qualquer suporte e tem uma capacidade impressionante de se adaptar a qualquer plataforma. Segundo, integrar as redações on e off line, que é um processo complicado, não somente pelas linguagens diferentes, mas por razões de contratos trabalhistas. A figura do jornalista polivalente ou multitarefa acaba sendo um problema para os jornais. Compreendendo isso, é preparar a transição da equipe historicamente focada no impresso, para entender a linguagem digital, através de experiências e treinamento, explorando constantemente novas ferramentas e novos recursos, a exemplo das revistas para tablet, especiais multimídia e da infografia interativa. Mas, todas estas questões não envolvem apenas os jornais. Tem a ver com o novo papel a ser desenvolvido pelos jornalistas e pela preparação destes profissionais pelas universidades. Durante a pesquisa, o diretor editor do Diário do Nordeste, Ildefonso Rodrigues, me relatou algo muito importante, que os jornalistas ainda são preparados para o  mercado sob a linha do impresso, do texto, da linguagem escrita, com reduzida visão das complexidades advindas das novas rotinas de um jornal na internet. O principal desafio, portanto, é quebrar os padrões do jornalismo histórico e padronizado.

Em seu livro, você fala que “a convergência midiática tem transformado o jornais e o jornalismo”. Para onde estamos caminhando então? Quais são as tendências nessa área pelo que se observa mundo afora?

WR – Precisamos compreender que a integração e evolução dos meios alteraram as atuais práticas sociais, e no campo do jornalismo este panorama também é evidente. Não adianta os jornais ficarem tão somente no patamar do modelo tradicional impresso. Estamos num contexto social de convergência, que como foi citado aqui, transforma as empresas de informação em conglomerados multimidiáticos. A convergência caminha sob uma dicotomia clara: por um lado o jogo de um modelo de negócios de corte de custos e, por outro, a máxima produção que as novas tecnologias permitem. Esta transição à qual o modelo de negócio jornalístico é submetido acarreta no surgimento do profissional chamado nas redações de jornalista multitarefa, supostamente capaz de desenvolver inúmeras atribuições que incluem produzir vídeos, áudios, fotografias, edição, textos, entre outras.

Há um outro ponto importante: o papel da prática jornalística nas redações é redefinido, com alterações até mesmo nos rumos da profissão, por conta da superabundância de informações disponíveis na rede que não são produzidas por pessoas graduadas em jornalismo. A redefinição profissional sugere, então, mecanismos de filtragem da grande quantidade de conteúdo que oferece a rede, cabendo uma atribuição nova e diferente para o jornalista em tempos de convergência: compilador e difusor da informação, como um cartógrafo e, ao mesmo tempo, regulador da qualidade. E estes pontos envolvem jornais e jornalistas de um modo geral. A  internet afetou o jornalismo em sua totalidade e não somente o jornalismo digital e, em vista disso, o impacto sobre o modo de produção jornalística exige redefinição dos produtos.

Poderíamos ter um modelo de jornalismo em que a notícia seja divulgada somente através de recursos gráficos multimídia (em um site específico ou em publicações nas redes sociais)?

WR – É uma ideia que não pode ser descartada. Os especiais multimídia são bons exemplos disso, pois congregam recursos multimídia num só ambiente. Os infográficos interativos também podem funcionar como informador em si mesmo, sem precisar ser muleta do texto. Isso já ocorre no impresso com as reportagens infografadas. No âmbito da internet, isso pode ser realmente potencializado.

Com a popularização das redes sociais, o que você acha que elas têm a contribuir com o jornalismo? Ou como o jornalismo poderia tirar proveito delas?

WR – O jornalismo pode ser praticado em qualquer meio de divulgação que exista e que venha a existir. Se os postes serviam como instrumentos para que as antigas gazetas pudessem ser divulgadas, as redes sociais, sob uma outra lógica, cumpre o mesmo papel. E os jornais entenderam rápido, participando das redes sociais e obtendo excelente repercussão. São muitos os comentários dos usuários nas postagens dos jornais, mostrando que o leitor agora participa muito mais ativamente do que somente no espaço editado das Cartas dos Leitores. E as redes podem ser uma ferramenta sinérgica de jornais e audiência, de aproximação entre ambos. Para o leitor, uma forma de ser ouvido e de participar da edição. Para os jornais, um modo de compreensão do perfil de seu consumidor e um instrumento que alimenta sua autolegitimação de difusor da informação de qualidade.

Texto e imagens reproduzidos do blogdocarlossantos.com.br